terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Um escritor com horas (in)certas | Perfil de Samuel Pimenta, por Mara Fontoura

Um escritor com horas (in)certas
Parte 2


Santarém, um lugar de influência

Os aplausos que se ouvem, agora, na Livraria Ferin devolvem o sorriso habitual e tranquilizante a Samuel e fazem-no recuar 13 anos no tempo, ao dia em que leu pela primeira vez um conto à família. "Lembro-me de terminar o conto, as minhas avós e a minha mãe estavam em casa, eu subi para cima do sofá e comecei-lhes a ler. Elas ficaram estupefactas por um miúdo de dez anos estar a escrever um conto, gostaram e aplaudiram”, relembrou.



Ao primeiro conto chamou A Casa Assombrada, um conto de duas páginas. Foi a primeira vez que escreveu consciente de que queria ser escritor e com o intuito de publicar. A história nunca saiu das quatro paredes de casa, e Samuel até já lhe perdeu o rasto, mas A Casa Assombrada marcou o início de um caminho na literatura.
Seguiram-se mais contos, todos num registo fantasmagórico. A vila de Alcanhões, na qual Samuel cresceu e na qual adorava brincar, à noite ganhava vida pelas personagens construídas no imaginário do escritor. “Atrás da minha casa tinha um riacho e isto fez com que eu fosse muito ligado à natureza. Acredito que as pessoas que são ligadas à natureza vêem a realidade de uma outra forma. Eu sempre olhei a realidade de uma forma mágica. Sempre me questionei como nascem as árvores, o que passa por baixo do riacho. Como fui um miúdo muito fantasioso comecei a escrever neste registo, com fantasmas e bruxas”.

Com um olhar contemplador, invulgar numa criança, e com ideias críticas sobre o mundo que o rodeava, desde cedo Samuel mostrou ser peculiar: aos 10 anos começou a escrever, aos 13 apaixonou-se pela poesia, aos 14 começou a criar textos para teatro. A certa altura, a escrita passou a ser um refúgio e a brincadeira favorita do, então, promissor escritor.
“Tive uma adolescência pouco comum, a escrita foi o meu refúgio. Sempre gostei de viajar, ouvir música. Gostava de brincar, mas a partir de uma certa altura brincava sozinho com as minhas personagens”

No quarto, o pequeno escrevia, escrevia, escrevia e escrevia, ora contos, ora prosa, ora poesia, e especialmente à noite, “porque havia menos probabilidades de ser incomodado” e se há coisa que Samuel detesta é ter que se cruzar com pessoas enquanto escreve. Hoje em dia já não é assim, as obrigações profissionais mudaram-lhe os hábitos.
“Trabalho em comunicação, numa fundação, a Fundação S. João de Deus e acordo todos os dias às 7:20 da manhã, não posso fazer grandes noitadas senão de manhã não acordo.”

Samuel escreve quando tem tempo e quando não lhe apetece nem sequer pega na caneta. “ Não me obrigo a nada, não gosto de regras, talvez às vezes crie regras para depois as quebrar”, remata com risos.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

2014, um ano a ler

31 de Dezembro, último dia de 2013. Altura de fazer contas a este que foi o ano da Livros de Ontem.

Embora a editora tenha sido formalmente constituída no verão de 2012, foi neste ano que agora chega ao fim que a Livros de Ontem se afirmou na edição e publicação de livros. Foram lançadas três obras de três promissores novos autores: Nós, Vida, de Álvaro Cordeiro, Cancro com Humor, de Marine Antunes e O Relógio, de Samuel Pimenta, duas delas lançadas com grande sucesso em crowdfunding. Foi também cunhado o novo conceito editorial que orientará o futuro da editora - o crowdpublishing - e lançadas as bases para as publicações vindouras, entre as quais a colectânea de contos, fotografia e ilustração cujo prazo de submissões termina hoje também.

Muito obrigado a todos os leitores e seguidores que acreditam em nós e nos ajudam a crescer a Livros de Ontem a cada dia que passa. Muito obrigado a todos os autores que confiam em nós para publicar e apresentar as suas obras, é com muito prazer e com grande honra que caminhamos ao vosso lado.

2013 foi um ano fantástico cheio de boa literatura! Nem imagina o que guardámos para 2014...

Um feliz ano 2014!

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Um escritor com horas (in)certas | Perfil de Samuel Pimenta, por Mara Fontoura

Um escritor com horas (in)certas
Parte 1

Lá estava ele, uma figura redonda com ponteiros que giram sempre na mesma direção. Poderia estar numa parede, numa estante qualquer, ou até num pulso, mas não. Estava estampado na capa do terceiro livro de Samuel Pimenta - O relógio – que agora se encontra em cima da toalha bege com riscas brancas e horizontais que decora a mesa da Livraria Ferin.



14 de Dezembro de 2013, 17 horas em Lisboa, as galerias da Livraria Ferin, situada no Chiado, começavam-se a encher aos poucos de pessoas curiosas e ansiosas. À espera tinham Samuel Pimenta que, estranhamente, permanecia de olhos cabisbaixos e com as mãos irrequietas que teimavam em mexer nas franjas do cachecol ao xadrez verde e vermelho. Era um dia importante, era o dia em que O relógio deixaria de pertencer a Samuel para passar a ser folheado pelo público.

Em 2012, Samuel Pimenta candidatou-se ao Prémio Jovens Criadores com o poema O relógio, escrito em 2009, o qual acabou por vencer com o reconhecimento do Governo de Portugal e do Clube Português de Artes e Ideias.

“O primeiro verso soou-me na cabeça «odeio o meu relógio», escrevi-o e percebi: é isto. É daqueles poemas que não se consegue parar de escrever”, explicou Samuel.



De acordo com o escritor, o poema é uma metáfora da sociedade actual que vive “aprisionada”. “Peguei na figura do Relógio para metaforizar com as pessoas e com a conjuntura em questão presas e não se conseguem libertar”.


Samuel recusa-se a pertencer e a aceitar esta sociedade, assim como se recusa a usar relógio. “Nunca usei porque me sinto aprisionado. Era como se fosse uma algema que estava no meu pulso”. Porém, quem odeia o relógio não é Samuel, mas sim, Elise ou Lise, como é tratada intimamente. Um outro eu de Samuel que assina o poema, diferente do jovem de 23 anos, alto, que, hoje, se encontra elegantemente sentado e que olha para o infinito através dos óculos ao estilo de Harry Potter e Fernando pessoa, ou não fossem eles, duas fontes de inspiração para as múltiplas obras, ora fantasmagóricas, ora poéticas, que constrói.

O jovem poeta acredita na pluralidade de eus existente em cada ser, que surgem em diferentes momentos. Desde que iniciou o caminho na área da literatura várias vezes sentiu a necessidade de assumir as diferentes vozes que lhe surgem no interior. "A Lise surgiu pontualmente noutros poemas, mas surgiu bem vincada em O relógio e até a tónica com que o poema é escrito é diferente do Samuel. O que é certo, é que a minha escrita mudou desde que ela apareceu, amadureceu", sublinhou.

Sérgio Batista, amigo de Samuel desde a faculdade e com quem, hoje, tem uma amizade profunda, foi o primeiro a ler o poema O relógio. “Gosto muito, e tenho a certeza que será agraciado com ainda mais prémios”, adiantou. Um leitor atento dos trabalhos do amigo, Sérgio tornou-se um admirador dos poemas de Samuel. “Talvez o melhor da sua escrita resida na sua simplicidade e clareza, que conduz o leitor a significados e sentidos complexos”.

Já se passaram cerca de 2 anos desde que O relógio trouxe Samuel para a luzes da ribalta na literatura. Porém, só agora o escritor considerou ser a altura certa para a publicação do livro. “Só agora é que se proporcionou. Eu acredito que cada coisa tem o tempo certo para acontecer. Houve uma altura que eu não queria publicar, andava a organizar tertúlias, andava com uma série de coisas. Queria percorrer um caminho até ser a hora e a hora chegou.”

Defensor de que cada momento tem uma temporalidade definida, Samuel Pimenta tem como influência a parábola do Bambu.
“O Bambu demora quatro anos a crescer, nos 3 primeiros ganha raiz e no último ano cresce imenso. Se tu a quiseres arrancar não consegues, isto para a nossa vida é muito importante porque primeiro temos que trabalhar, construir raízes para sabermos o que temos e não desmoronarmos”, explicou com a delicadeza, com a mesma com que retira um mosquito que de súbito lhe caiu no copo de vinho. Num gesto minucioso, sendo o jovem contras as práticas injustas com os animais, Samuel devolve-o à vida.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Um escritor com horas (in)certas | Perfil de Samuel Pimenta, por Mara Fontoura

Um escritor com horas (in)certas


Irreverente na escrita e imprevisível nas relações humanas, o jovem Samuel Pimenta venceu o Prémio Jovens Criadores em 2012 com o poema O Relógio. Para o escritor cada texto e cada livro têm um caminho e um tempo a percorrer até chegarem aos olhos do público. A hora chegou.


Assim começa o perfil do escritor Samuel Pimenta, da autoria de Mara Fontoura, que a Livros de Ontem irá publicar na integra no blogue da editora. Uma série de publicações que irão dividir o perfil do autor, uma entrevista intimista que dará a conhecer Samuel Pimenta na sua essência e ajudará o leitor a melhor interpretar a poética do vencedor do Prémio Jovens Criadores 2012.
Não havia melhor maneira de acabar o ano de 2013!

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Lançamento do livro "O Relógio" | Samuel Pimenta



Após ter garantido a Samuel Pimenta o Prémio Jovens Criadores 2012, o poema O Relógio chega finalmente em livro com a chancela de qualidade Livros de Ontem

Será no dia 14 de Dezembro, pelas 17h que este pequeno grande livro será lançado e apresentado na Livraria Ferin, em Lisboa, num evento onde se respirará cultura e poesia.

A apresentação do livro estará a cargo de Maria João Cantinho, Samuel Pimenta e João Batista que explorarão a mensagem da obra e todo o processo de escrita e edição que culminou na publicação de O Relógio. O autor e a editora decidiram ainda proporcionar a todos os presentes um momento musical, a cargo de Isaac Pimenta, que fará a sublime ligação entre música e poesia.

Não perca esta oportunidade de vir até nós, conhecer o autor e deleitar-se com uma poesia única que já conquistou espaço internacionalmente. 

Espreite o booktrailer da obra aqui.

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Após a apresentação, haverá sessão de autógrafos. O livro pode ser adquirido aqui ou presencialmente no dia do lançamento.


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Nós, Vida | 23 de Novembro na Biblioteca das Galveias




A Livros de Ontem e o autor Álvaro Cordeiro convidam-no a estar presente na apresentação do livro Nós, Vida, dia 23 de Novembro, pelas 19h15m na Biblioteca Municipal Palácio Galveias, em Lisboa.

Será mais um momento de diálogo e partilha entre editora, autor e leitores que poderão, neste espaço, trocar ideias sobre a escrita de Nós, Vida.


Se ainda não conhece o autor poderá comprar o livro que o autor autografará com todo o carinho.

Não falte! Venha até nós.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Coletânea de contos, fotografia e ilustração | Livros de Ontem & The Art Boulevard


"Liberdade, Medo e Solidão". Será este o tema da primeira coletânea publicada pela Livros de Ontem.

O objetivo é promover o trabalho de novos artistas de língua portuguesa nas áreas da literatura, fotografia e ilustração. O concurso está aberto nestas 3 áreas, sendo que as ilustrações se destinam à composição da capa.

Serão selecionados os 10 melhores contos, as 10 melhores fotografias e ainda a melhor ilustração por um júri composto por membros da editora Livros de Ontem e da plataforma The Art Boulevard.

A obra será lançada em crowdfunding, como já é hábito da editora Livros de Ontem, e publicada com a chancela da editora.

Pretende-se descobrir os novos artistas promissores e proporcionar-lhes a oportunidade de publicar o seu trabalho em sinergia com outros artistas.

O prazo de recepção de candidaturas termina a 31 de dezembro. Consulte o regulamento para ficare a par das condições de participação -http://bit.ly/1bKnWvD


Ficamos à espera da sua proposta e boa sorte!



Subscreva o evento no Facebook para ficar a par de todas as novidades: http://on.fb.me/177AxZX


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Entrevista a Mafalda Pinto-Coelho - autora do posfácio de "Cancro com Humor"



Dra. Mafalda Pinto-Coelho
Presidente da Direção da Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama




Desde o início, o projeto de publicação do livro Cancro com Humor foi pensado com um objetivo solidário. Tanto a editora Livros de Ontem como a autora do livro, Marine Antunes, reconheceram de imediato que um livro como o Cancro com Humor apenas faria sentido enquanto servisse como veículo de ajuda para alguém: seja através de toda a sabedoria expressa no livro como através de uma campanha solidária associada à sua compra.

O livro Cancro com Humor foi feito a pensar nos leitores, um testemunho pessoal, diferente e divertido para ajudar quem tem de lidar de perto com o cancro. Tem, nesse sentido, uma lógica inerente de contato direto e permanente com o público, crescendo à medida de cada contributo dos leitores.

 É, no fundo, uma forma de retribuir à sociedade, diretamente a quem mais precisa, todo o apoio e carinho que os leitores têm dado tanto à editora como ao projeto e livro Cancro com Humor. É neste âmbito que a editora Livros de Ontem irá doar 1€ por cada exemplar vendido do livro Cancro com Humor à Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama, no que se acredita ser um sincero agradecimento e reconhecimento público por todo o bom trabalho que têm vindo a desempenhar na luta contra esta doença.

Em entrevista à Livros de Ontem, a Dra. Mafalda Pinto-Coelho, Presidente da Direção da Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama, explicou em que estado está a luta contra o cancro em Portugal.


João Batista - Dra. Mafalda Pinto Coelho,
gostaria de iniciar esta entrevista traçando um quadro geral sobre o estado da luta contra o cancro em Portugal. Quais os desafios, quais as dificuldades e quais as grandes conquistas que já foram feitas?

Mafalda Pinto Coelho - O Carcinoma da mama é a doença oncológica mais frequente no sexo feminino, com uma incidência estimada de perto de 5000 casos/ano na população portuguesa.
A diminuição do número da mortalidade por carcinoma da mama na população portuguesa já demonstra a eficácia dos esforços daqueles que iniciaram os programas de rastreio mamográfico no nosso país.
A medicina faz o seu papel tentando tratar e curar uma doença cuja grande complexidade reside nos inúmeros factores genéticos, ambientais e sociais que a condicionam. Cabe a cada mulher um papel fundamental, a ajuda no diagnóstico precoce, a vigilância e o rastreio. A mulher portuguesa faz o seu papel?

JB – No seguimento da sua interrogação, pergunto-lhe: as mentalidades ainda são um entrave à luta contra o cancro? As pessoas só se preocupam com a doença e o seu impacto social quando esta lhes bate à porta?

MPC - Tudo se tem feitos nos últimos anos para que a mulher portuguesa se encontre mais sensibilizada para a importância da prevenção e do rastreio mamário e ginecológico a fim de possibilitar um diagnóstico precoce. No entanto, ainda há muitas mulheres que não tem por hábito ir ao ginecologista, uma ou duas vezes ao ano, para serem observadas e efectuarem os exames de rotina. É, assim, fundamental veicular junto das mulheres e seus médicos assistentes as vantagens da realização regular destes exames de rastreio de modo a conseguir uma cobertura populacional tão grande quanto possível, que acarrete a médio prazo uma mudança radical da realidade desta doença.

JB – Projetos e livros como o Cancro com Humor podem ser a solução ou, pelo menos, fazer parte dela no sentido de subverter este paradigma?

MPC - Sim, sem dúvida!
Este livro é fascinante pela frescura que imprime e pela sabedoria envolta num traje naïf, na medida em que nos ensina que mais vale rirmo-nos do nosso destino e aceitá-lo, do que revoltarmo-nos contra aquilo que jamais poderemos controlar.
Assim, é na partilha da sua crença de que a vida se leva a rir e na forma de encarar a experiência do que é “ter cancro” que este livro colabora, decisivamente, na abertura de janelas de luz nos muitos edifícios de escuridão que giram à nossa volta.

JB - O que acha da forma como o cancro tem sido tratado junto da opinião pública, especialmente na área da literatura?

MPC - Na minha opinião muito se tem escrito e falado sobre “cancro”. Esta situação permite não só a desmistificação desta doença, como também a sensibilização e educação da mulher para a importância da realização regular dos exames de rastreio de modo a conseguir-se uma cobertura populacional tão grande quanto possível.

JB - O testemunho triste e pesado de doentes oncológicos com
peso junto da opinião pública ajuda ou dificulta a sensibilização social e a desmistificação da doença?

MPC - Não podemos negar que esta doença traz consigo sentimentos de limitação, inadequação, revolta, medo e perda de autoestima. A própria doença nos ensina que a morte é parte integrante da vida, que todos morremos um dia, da mesma forma que nascemos. Que viver não passa duma misteriosa viagem, mais curta e dolorosa para alguns, duma experiência imperdível e marcante para todo e qualquer ser humano. Todos os testemunhos são válidos, uns mais positivos que outros consoante a experiencia de cada um, porque, acima de tudo, alertam para uma realidade que não podendo ser alterada pode, pelo menos, ser prevenida.

JB - Qual tem sido o papel da Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama na luta contra o cancro?

MPC - A APAMCM ao longo dos seus 15 anos de vida acredita estar a conseguir minorizar as fragilidades existentes no sistema de saúde. Oferece a toda a população uma panóplia de apoios terapêuticos prestados por uma equipa de profissionais de saúde muito credível, durante toda a semana, de forma rápida e gratuita ou a custo assistencial. Divide-se em três grandes áreas: médica, fisioterapia e psicologia.


o        Consultas:

o       Triagem (1ª vez)
o       Medicina Geral e Familiar
o       Cirurgia da Mama (2ª opinião)
o       Fisiatria
o       Ginecologia (rastreio mamário e ginecológico)
o       Dermatologia
o       Psiquiatria
o       Nutrição
o       Osteopatia

o        Serviço de Medicina Física e Reabilitação | Centro Especializado em Fisioterapia Oncológica (galardoado com o Premio Boas Práticas em Saúde);

o        Serviço Psicologia (terapia individual | terapia familiar | terapia de grupo | ludoterapia);


JB - A venda do livro Cancro com Humor irá reverter, em parte, para esta casa. Existe alguma necessidade urgente na qual este dinheiro será aplicado?

MPC - Parte deste dinheiro será aplicado na nova consulta de ginecologia que tem como objectivo primordial a oferta do rastreio mamário e ginecológico à mulher. Abre ao público, na sede da APAMCM, dia 25 de Novembro. Encontramo-nos a angariar dinheiro para os materiais consumíveis e descartáveis, um software de gestão clínica e, ainda, para a aquisição de um ecógrafo no decorrer do ano 2014.

JB - Este tipo de apoios são fundamentais para o funcionamento da Associação ou apenas contribuições pontuais para realizar projetos específicos?

MPC - Todos os projetos em que a APAMCM se envolve são fundamentais para a gestão de todos os serviços de saúde e do quotidiano laboral desta instituição de saúde. Cada serviço de saúde necessita estar adaptado às reais carências dos seus utentes, modernizado e devidamente equipado com materiais hospitalares necessários ao tipo de tratamento que presta.
A APAMCM não tem qualquer apoio financeiro por parte da sua tutela e portanto dinamizar processos de captação de fundos é vital para que consiga manter-se aberta ao público e autónoma financeiramente.

JB - A autora Marine Antunes tem estado envolvida com esta Associação. O que pode dizer sobre a autora deste livro?

MPC - A Marine Antunes realizou em Junho deste ano um encontro de Cancro com Humor na nossa sede dirigido aos nossos associados com patologia oncológica. Foi uma tarde bem passada onde a troca de vivências se efectuou em alegria. Apesar de jovem a autora denota grande sensibilidade, maturidade e é muito voluntariosa.



JB - O livro Cancro com Humor aborda um tema muito sensível de uma maneira nova e arrojada. Como tal, existe sempre a possibilidade de ser mal compreendido.
Acha que a abordagem do livro é pertinente para o tema tratado?

MPC - Como escrevi no meu posfácio, Marine Antunes não é uma escritora no sentido convencional do termo – alguém que se dedica à escrita – mas sim uma sábia alma num corpo de menina que, a dada altura, sentiu necessidade de partilhar com o mundo uma genial ferramenta que encontrou dentro de si – o Humor – que a ajudou a lidar com a dor, a frustração e o medo de morrer.
Claro que há pessoas que lidam com a doença de outras formas e o humor para elas pode não ser o caminho ideal para gerirem as suas emoções. É algo que devemos respeitar. Aquilo que pode ajudar uns nem sempre se aplica de forma universal. Mas na verdade a rir a vida torna-se sempre mais fácil, mesmo nos períodos de profunda tristeza.

JB - A Dra. Mafalda Pinto Coelho foi convidada para escrever o posfácio do livro. Como foi fazer parte deste livro e o que pode desvendar aos nossos leitores?

MPC - Foi uma viagem interessante entrar no mundo íntimo da autora, viajar pelas suas inúmeras emoções, sentir as transformações interiores dos seus sentires, vestir a sua pele e tentar compreender o que vivenciou com aquela experiencia. Quando nos colocamos no lugar do outro aprendemos sempre imenso acerca de nós próprios.

O livro poder ser adquirido através do site da editora: http://bit.ly/1dhCYtK



quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Cancro com Humor | Evento de lançamento


A editora Livros de Ontem tem o prazer de convidar todos os leitores para o evento de lançamento do livro Cancro com Humor, de Marine Antunes

O lançamento terá lugar no dia 9 de Novembro, pelas 19h15m, na Biblioteca Municipal Palácio Galveias, em Lisboa. 

Haverá apresentação, leitura, autógrafos, boa disposição e… bolas de praia! Conheça toda a história por detrás do livro e deixe-se inspirar pelo testemunho de força e coragem de quem transformou um cancro num movimento social.

Mais um grande evento Livros de Ontem que não pode perder!

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O Relógio, de Samuel Pimenta - Já disponível!

O Relógio, de Samuel Pimenta, autor galardoado com o Prémio Jovens Criadores 2012 já está disponível ao público com a chancela Livros de Ontem.



A partir de hoje já é possível adquirir O Relógio que chega até ao leitor numa primeira edição numerada e assinada pelo autor, limitada a 100 exemplares. Uma edição de colecionador que marca a estreia em Portugal de Samuel Pimenta na área da poesia.

O livro tem o valor de 9€ e o respetivo Ebook 3€, estando disponíveis através da loja on-line Livros de Ontem e da página de Facebook da editora.


Já só há 95 exemplares. Garanta já o seu!

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

"Cancro com Humor" financiado com sucesso!

E já está!

O livro Cancro com Humor financia-se com sucesso reunindo 2040€ de um total de 59 leitores.



A Livros de Ontem agradece a todos quantos acreditaram no projeto e que, direta ou indiretamente, contribuíram para o seu sucesso. Nunca antes um projeto Livros de Ontem contou com tantos apoios dos leitores, demonstrando-se assim que o público acredita nesta nova forma de publicar livros: o crowdpublishing.

A campanha de financiamento coletivo termina hoje e o livro seguirá agora para produção. Em breve, os apoiantes estarão a receber as suas recompensas e os seus exemplares numerados e assinados pela autora.


A data e o local de lançamento serão anunciados em breve estando, desde já, todos convidados para vir conhecer este livro maravilhoso!

Obrigado pelo apoio!

sábado, 19 de outubro de 2013

O Relógio | Capa

Depois de divulgado o booktrailer de O Relógio, de Samuel Pimenta, divulgamos agora a capa do tão esperado livro.





Opiniões?

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O Relógio | Booktrailer

Eis que divulgamos o booktrailer do novo livro Livros de OntemO Relógio, escrito por Samuel Pimenta.

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Depois de Frankfurt é tempo de Samuel Pimenta lançar o seu primeiro livro de poesia em Portugal que terá a chancela Livros de Ontem.

Em breve anunciaremos a data do lançamento!
Fique com o booktrailer...


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Concurso de contos do Festival Literário de Macau


O Festival Literário de Macau estendeu o prazo de candidaturas para o "Segundo Concurso de Contos". Os trabalhos podem agora ser entregues até às 20h do dia 31 de Outubro de 2013.

A concurso podem ser submetidos trabalhos na categoria "Conto" em Português, Inglês ou Chinês e a cidade de Macau terá de ter parte integrante na história.

Uma excelente oportunidade que a Livros de Ontem partilha devido ao prémio pecuniário de 1000€ e à possibilidade de o conto ser integrado na publicação do festival.

Uma oportunidade a não perder para os novos autores que se pretendem lançar no mundo da escrita!

Saiba mais aqui.

Entrevista a Álvaro Cordeiro


O autor Álvaro Cordeiro foi entrevistado pelo blogue literário FLAMES. A entrevista pode ser lida aqui.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Cancro com Humor já disponível em pré-venda!

A Livros de Ontem já tem canal próprio de crowdfunding!

Através de uma parceria estabelecida com a plataforma de crowdfunding PPL, a Livros de Ontem tem agora um canal próprio para lançar e financiar os seus livros.

E nada melhor para inaugurar este canal que o livro Cancro com Humor, de Marine Antunes, um livro que promete revolucionar a forma como a sociedade vê e lida com o cancro.



Ao longo de um mês, propõe-se angariar 2000€ para tornar realidade este livro tão promissor! Na verdade serão apenas 1800€, já que a Livros de Ontem garante sempre a comparticipação de 10% do investimento.

Mas há mais! Para marcar esta data tão importante, a Livros de Ontem decidiu lançar também uma campanha solidária.

Por cada apoio recebido em crowdfunding, a Livros de Ontem irá doar um postal motivacional a um doente oncológico internado.
Por cada livro vendido, a Livros de Ontem irá doar 1€ à Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama.
Os apoios angariados serão distribuídos em parceria com os Palhaços d’Opital que nos ajudarão a animar uma tarde com os doentes.

Curioso? Passe pela página e veja as recompensas que preparámos para si!

Não se esqueça, precisamos do seu apoio e da sua divulgação para tornar este projeto uma realidade.


sábado, 21 de setembro de 2013

Álvaro Cordeiro: “O autor diz-se no que escreve, os leitores leem-se no que ele escreveu”

20 de Junho de 2013. Data oficial do lançamento do livro Nós, Vida, primeiro do autor Álvaro Cordeiro, primeiro da editoraLivros de Ontem. Uma dupla estreia que encheu a livraria Pó dos Livros e que deixou no ar a promessa de um grande sucesso literário.Agora que a obra já circula e repousa na prateleira das livrarias esperando o interesse dos leitores, o autor revela-se e explica-se.
O EF esteve à conversa com o autor e tentou encontrar resposta para algumas perguntas: Quem será Álvaro Cordeiro? De que fala Nós, Vida? O que dizem as entrelinhas deste autor que se estreia no mundo da publicação literária?
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O Paulo é um novo autor mas só como autor publicado. A escrita, em si, já não é novidade. Quando começou esta apetência pela palavra?
Eu escrevo desde a adolescência. E penso que tudo começou por efeito natural da minha timidez. Nunca me considerei muito dotado para a oralidade, inibo-me ao falar para outras pessoas e, por isso, desenvolvi a escrita como território privilegiado da minha expressão e comunicação. Isto depois foi potenciado pelo contacto, que vem desde a infância, com a literatura: sempre me fascinou a capacidade dos escritores usarem as palavras na sua máxima riqueza e, com elas, dizerem coisas que nós não conseguimos dizer, usando as mesmas palavras nas nossas conversas.
Primeiro para a gaveta e depois para o teatro. Como foi esse processo e como foram tomadas essas decisões? Por que não a publicação?
Sempre escrevi “para a gaveta”, desde que me lembro. E continuo a fazê-lo. Considero esse exercício importantíssimo para progredir na qualidade de escrita. Acredito que é preciso repetir páginas e páginas até chegar a algo que valha a pena ser lido por outros. A escrita teatral, de forma mais séria, surgiu mais tarde, há quase vinte anos, quando formei um grupo de teatro amador que queria encenar textos originais. Produzíamos uma peça por ano e, por cada texto que “saía”, vários rascunhos iam para a gaveta para que deles pudessem resultar outros textos mais tarde. É sempre este o processo: escrever a partir do que já se escreveu e tentar ir mais além a cada novo passo. Quanto a publicação, confesso que nunca pensei nisso: o prazer da escrita (algo romântico, reconheço…) esgotou-se sempre na contemplação da própria escrita e, no caso do teatro, na fruição do espetáculo que dela surgia. Até agora…
Chama-se Paulo Vaz, publica como Álvaro Cordeiro. Como surge o pseudónimo? É uma vontade ou uma necessidade?
Paulo Vaz sou eu, um homem comum, igual a tantos outros: exerço uma profissão, sou marido e pai; dedico-me ao estudo e ensino da História, valorizo a espiritualidade, gosto perdidamente de ler e tenho uma enorme paixão pelo teatro. Nada mais que isto. Álvaro Cordeiro não é um pseudónimo, é uma personalidade literária que habita esta pessoa comum e, dentro dela, exprime-se por escrito. Eu publico como Álvaro Cordeiro porque escrevo como Álvaro Cordeiro. Sempre escrevi como Álvaro Cordeiro, mesmo para as gavetas, desde a adolescência. Quando, no teatro, pego numa peça escrita por Álvaro Cordeiro para a encenar, encaro-a como algo escrito por outra pessoa. O mesmo sucede (e sucedeu desde o início) com o Nós, Vida: releio aqueles capítulos e admiro o facto de alguém ter conseguido escrevê-los… Isto pode parecer estranho, ou até presunçoso ou pedante, mas não é: é assim que o sinto, convivo com isto de uma forma simples e despreocupada e não costumo falar no assunto.
O que tem de novo para dizer ao mundo? Ou de diferente?
Depois de ler os grandes clássicos da literatura, fica-se com a sensação de que já não há nada de novo para dizer ao mundo. O ser humano diz-se a si próprio naquilo que os escritores escrevem, as suas palavras dizem uma outra Palavra maior que há neles, ou que através deles se transmite. E, assim, o ser humano recria-se e acrescenta-se e é por isso que a literatura é importante. E é por isso que continuamos a escrever, porque tentamos inventar maneiras diferentes de dizer o essencial que, se calhar, já foi dito mas vale a pena continuar a dizer. E o essencial é sempre o ser humano, com todo o seu potencial de energia, sentimentos, inteligência e espiritualidade. Sempre houve e haverá homens e mulheres que vivem a vida inteira sem reconhecerem em si potencial algum, ou sem terem oportunidade de ativar o que quer que seja. Como se explica este fenómeno? É o mistério de uma humanidade que foi capaz de gerar um Aristóteles, um Francisco de Assis, mas também um Rodrigo Bórgia ou um Estaline e tantos milhões e milhões de pessoas que nunca saberemos que qualidades e defeitos tinham. E é este mistério que é preciso continuar a dizer na literatura. Isto é o que eu penso e é sobre isto que escrevo. Às vezes sinto que a escrita de Álvaro Cordeiro transcende tudo isto que eu penso e sinto, ou vai buscar o que há de mais profundo em mim e exprime-o de uma maneira que eu não sei muito bem explicar como acontece. Como se as palavras escritas revelassem essa outra Palavra que é maior do que aquele que as escreve (a tal “verdade profunda ou terrível ou absurda ou final” de que fala a nota inicial de Nós, Vida). Escrever, no fim de contas, é um ato de transcendência. Gosto de pensar que talvez seja isso que tenho a dizer: o ser humano está, em tudo o que faz e vive, desafiado a transcender-se.
Decide avançar para a publicação numa altura de crise em que a cultura se ressente. Um desafio ou uma adversidade insuperável?
É verdade que vivemos uma conjuntura de crise económica grave, as pessoas temem pela sobrevivência e pelo acesso aos bens essenciais. Os equilíbrios sociais estão abalados, porque as pessoas sentem que já não podem viver segundo os padrões em que viviam e reagem pela depressão ou pela agressividade. E, na redução ao essencial, é claro que a cultura está entre os primeiros cortes, de acordo com a sociedade materialista e utilitarista em que vivemos. É inevitável, embora talvez não devesse ser assim, porque a História ensina-nos que as grandes ideias geradoras de mudança surgiram ou afirmaram-se precisamente em períodos de crise e a cultura é simultaneamente viveiro e canal de transmissão de ideias. Na Islândia, por exemplo, o Estado apostou num relançamento da produção cultural como uma das formas de combater a crise. Isto pode ser um sinal de que a cultura tem lugar num contexto de crise, porque devolve os indivíduos e a sociedade à reflexão sobre si próprios, desperta-lhes o potencial criativo, constrói ou reconstrói imagens e acorda para o essencial. Neste sentido, avançar para a publicação numa altura de crise é, sem dúvida, um desafio.
Como é ser um novo autor em Portugal? Que oportunidades e dificuldades existem?
Se considerarmos como autor aquilo que eu sempre fui (alguém que se entrega simplesmente ao ato criativo da escrita), direi que há muitas oportunidades para um novo autor: com computador e internet é possível escrever a qualquer hora e em qualquer lugar, armazenar a escrita em “gavetas virtuais” e partilhá-la de modo mais seletivo ou mais aberto, na modalidade que se quiser, através de nuvens, blogues, redes sociais, edições on-line, etc.. Se entendermos por autor alguém que publica ou deseja publicar a sua escrita e viver disso, adivinham-se mais dificuldades: talvez não seja muito difícil editar um livro e pô-lo à venda, mas para ter “êxito” é preciso criar nome e ir ao encontro dos critérios de aceitação do público (o que é bom, desde que se tenha qualidade e isso fomente mais leitura e reflexão). Ou então produzir um forte impacto de novidade com uma proposta alternativa que venha a definir um novo critério de aceitação. Em síntese, penso que há muitas oportunidades para escrever e razoáveis possibilidades de publicar, mas será difícil conquistar um espaço significativo no ambiente de massificação cultural que caracteriza a sociedade atual.
Na sua opinião, como está o panorama editorial português a nível de autores, editoras, livrarias, novos formatos?
Sinceramente, não sei responder a essa pergunta, que é demasiado abrangente. Cultivo o prazer da leitura e da escrita, mas domino pouco o panorama editorial. É um lugar comum dizer que as grandes editoras apostam nos formatos de sucesso e nos autores consagrados e descuram as propostas alternativas e os autores com universos mais particulares. Porém, eu não sei se isso não acaba por ser natural: é uma lógica de sobrevivência empresarial que, no fundo, pode prestar um serviço à difusão cultural. O mesmo se passa, porventura, com as livrarias: enchem uma montra com exemplares do mais recente sucesso mundial para que as pessoas, ao passarem, verifiquem que é uma livraria atualizada. Então, as pessoas entram para ver se há lá dentro outras coisas interessantes … e talvez reparem num dos três exemplares do Nós, Vida que foram ali postos à venda na quarta prateleira. O importante, penso eu, é que essas pessoas admitam que um livro desconhecido de um autor desconhecido pode ser interessante, que se disponham a colher informação sobre ele, que arrisquem comprá-lo e lê-lo e, acima de tudo, que formem uma opinião própria sobre o que leram, em vez de se limitarem a comprar o último best-seller estrangeiro acreditando que deve ser muito bom porque já vendeu cinquenta mil exemplares. As editoras e as livrarias são empresas que alimentam um público do qual dependem para se manter. Às vezes, os autores funcionam da mesma maneira. É, quanto a mim, a atitude do público leitor que tem de ser aberta e pluralista, fugir da simples repetição massificada, cultivar o gosto pelo diferente e valorizar universos literários variados sem precisar de fazer comparações, apreciar tanto um best-sellerinternacional como um livro de culto em edição de autor. Para conseguir chegar aí, penso que todos – autores, editoras, livrarias e, claro, leitores – temos de nos dispor a arriscar um pouco mais.
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Como define Nós, Vida?
Gostaria de deixar para os leitores a resposta a essa questão. Afinal de contas, é esse o jogo da literatura, não é? O autor escreve, os leitores apreciam a escrita. O autor diz-se no que escreve – e às vezes diz-se mais do que se conhece –, os leitores leem-se no que ele escreveu – e às vezes leem-se mais do que se imaginavam. E, a partir daí, dizem-se a si próprios de outra maneira e talvez até passem a dizer-se aos outros de maneira diferente. Por isso é que a literatura é um ato de transcendência e pode ser uma experiência transformadora. Como a arte. Nós, Vida é, sem dúvida, a forma mais acabada que até hoje consegui de me dizer, ou de dizer a Palavra que procuro em mim. Creio que ainda é uma forma incompleta, por isso é que continuo a escrever.
O que mais me chamou a atenção em Nós, Vida foi a interligação do título com a história, duas palavras singulares que formam um todo que faz muito sentido ao longo da história. Como foi o processo de construir uma narrativa tão real, tão certa com o mundo que nos rodeia?
De início não havia sequer a preocupação de construir uma narrativa sequenciada. A ideia era compor um retrato do ser humano fragmentado em cenas diversificadas com personagens diferentes que não tinham ligação entre si. Ao longo do processo de evolução da obra, as personagens foram-se tornando próximas, surgiram os laços familiares e afetivos, ataram-se os nós daquelas vidas. Como se as personagens, por meio de um mecanismo cujo controlo me ia escapando, começassem a dizer-me que o tal retrato do ser humano é feito da junção de todas elas, num todo que não é igual à soma das partes. O passo decisivo neste processo foi a transformação do texto inicial em peça de teatro, com a necessidade de conferir unidade ao conflito e definir um desenlace. Foi então que surgiu o título, que se torna muito mais significativo depois de terminada a leitura. Mas tudo isto aconteceu de um modo algo indizível e transcendente, operado por uma personalidade literária que parece gozar de uma certa autonomia dentro de mim.
Os seus personagens podiam ser qualquer um de nós. Há alguma correspondência com a realidade na construção de personagens ou a sua veracidade provém da completa abstração?
Todas as personagens são inventadas, são criações de um autor que habita em todas elas. A singularidade dos nomes, tantas vezes apontada, acentua precisamente o seu distanciamento da realidade concreta, essa “abstração”, se assim quisermos dizer. A descontextualização da narrativa, reduzindo ao mínimo as referências a tempos e lugares, também contribui para isso. No entanto, ao centrar todo o discurso exclusivamente nas personagens, no que dizem e sentem, pretende-se criar um efeito de proximidade e de identificação e é talvez por isso que elas podem ser qualquer um de nós, que as suas vidas podem contar um bocado das nossas vidas. Observando-as de perto, talvez nos vejamos melhor a nós próprios. Pelo menos, é essa a intenção.
E depois de Nós, Vida? Há mais alguma gaveta por abrir?
Há várias gavetas e não estão propriamente fechadas. A minha escrita não é um segredo, é apenas uma atividade resguardada, uma intimidade que espera os momentos adequados para ser exposta e partilhada. Nós, Vida demorou um tempo que pode parecer excessivo, mas que eu hoje sinto como tendo sido o necessário. Há outras coisas à espera, algumas em apontamento, algumas já redigidas em parte ou no todo. Posso adiantar que há um texto em processo de reescrita da terceira versão. Será o próximo livro? O autor está a fazer o seu trabalho, mas só as circunstâncias, o editor e os leitores poderão dar a resposta final…

Originalmente publicado no Espalha-Factos.

Cancro com Humor | Habemus capa!

A capa do livro Cancro com Humor já foi divulgada!


A poucos dias do novo livro publicado pela Livros de Ontem ser lançado em crowdfunding na plataforma PPL, divulgamos a tão esperada capa que vem revolucionar a forma como o cancro é tratado e trabalhado junto da opinião pública.

Para um livro original e polémico, uma capa que o acompanha na abertura de novos Cancro com Humor é mais do que um livro de auto-ajuda e mais que um livro de humor. É um novo conceito, um livro pioneiro desses que não se consegue classificar. 
caminhos no mundo da edição.

Cancro com Humor é um estilo de vida, um modo de lidar com a doença, uma forma de quebrar tabus. Ao ler este livro, o leitor irá sentir que está a perante algo novo, perante o testemunho de quem criou uma nova forma de combater o cancro. 

Estes são os livros mais difíceis de trabalhar, de editar, de rever e paginar. Mas são também os que mais prazer dão. Um livro ambicioso para uma equipa ambiciosa, a combinação perfeita. Quisemos que Cancro com Humor se apresentasse ao mundo com uma capa tão diferente quanto o seu próprio conteúdo. Mas como representar o cancro no plano gráfico de uma forma alegre e humorística. Como representar este escarnecer da doença para a ultrapassar? E como aliar isso ao mundo do humor, do stand-up, da comédia? 

O resultado está à vista. As conclusões são pessoais e deverão ser assimiladas por cada um individualmente. O sentimento é de missão cumprida. Parabéns Marine, parabéns Livros de Ontem. O mundo, esse, é dos loucos!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Escritores Livros de Ontem com Facebook oficial

De que vale o texto do escritor que não é lido? De que vale a música do cantor que não é ouvida? De que vale o quando do pintor que não é apreciado?

Pouco. Muito pouco. Talvez nada.

A arte é feita para quem a aprecia e, sem público, de nada vale. O conteúdo que torna arte o simples texto, a simples canção, o simples quadro é a mensagem transmitida pelo autor e absorvida pelo público.

É fundamental conhecer o texto, conhecer o autor, conhecer o mecanismo por detrás do livro que chega à estante de sua casa. Para verdadeiramente conhecer e apreciar a mensagem, desfrutar dela na sua plenitude, é importante conhecer o escritor nas suas variadas vertentes e ocasiões.

Quem é esse que escreve o que leio? O que faz, o que gosta de fazer, o que gostaria de não ter de fazer? Quem é, onde habita, como vive? São tudo interrogações que agora já têm resposta. 

A Livros de Ontem orgulha-se de apresentar os perfis de Facebook oficiais dos seus escritores. A partir de agora poderá acompanhá-los, conhecê-los, questioná-los, tudo ao alcance de um clique e sem ter de sair do sofá.

Venha conhecer um pouco melhor quem está do outro lado dos livros que lê!

Álvaro Cordeiro - perfil
Marine Antunes - perfil

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Livros de Ontem na revista Visão

A Livros de Ontem saiu hoje na revista Visão numa reportagem especial sobre crowdfunding


É um enorme orgulho para nós sermos referenciados numa revista tão credível como a Visão como um bom exemplo de sucesso neste regime de financiamento.

Esta reportagem tem ainda um significado mais especial por ter saído na altura em que a Livros de Ontem se encontra a reforçar o seu papel na divulgação e promoção do crowdfunding em Portugal através da ligação entre o financiamento pela multidão e a literatura. Consideramos que existe um enorme potencial nesta relação e estamos decididos a explorá-la. Em breve divulgaremos grandes surpresas neste campo. Para já, fica a reportagem.



E que bonito ficou o nosso Nós, Vida na fotografia!

Um obrigado à Visão.